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4ª Revolta dos Papos d'Anjo PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Terça, 22 Maio 2007 20:18
 Realizou-se no passado dia 19 de Maio a 4ª Revolta dos Papos d'Anjo, desta vez subordinada ao tema, "O Estado da Educação", e contou com a presença de Dr. Emídio Guerreiro, deputado do PSD na Assembleia da República, coordenador da Comissão Especializada Permanente da Educação, Ciência e Cultura, Professor José Carlos Neves, director Pedagógico do Colégio de S. Gonçalo, e Eng.º Sampaio, director executivo da Escola Secundária de Amarante. Na plateia estiveram profissionais da educação e, como sempre, jovens, muitos deles ainda estudantes.

A moderação da tertúlia esteve a cargo de Carlos Carvalho, Presidente da JSD Amarante, que começou por referir a importância da Educação no desenvolvimento e na vida de um país e seus respectivos concelhos. Alertou para a falta de debate sobre a educação, principalmente ao nível dos concelhos e passou a palavra aos convidados, começando pelo Dr. Emídio Guerreiro.

 O deputado do PSD começou por fazer um traço vertical sobre a educação, levantando questões e fornecendo opiniões sobre os diversos graus de ensino, desde os primeiros passos de um aluno, até ao ensino superior, referindo o Processo de Bolonha. Alertou para a inconsistência da Ministra da Educação, referiu o negativo processo dos exames nacionais e sua repetição e fez um levantamento sobre os maiores desafios e obstáculos da educação.

Foi depois a vez de dar palavra ao Professor José Carlos, que iniciou a sua participação dizendo que o principal problema com que se debate é o abandono escolar. Referiu os pontos que mais o preocupam na educação, juntando à sua experiência enquanto director pedagógico os números das estatísticas referentes à educação. Afirmou-se contra as comparações feitas com a Finlândia e referiu Eslovénia e as suas estatísticas como prova de que Portugal está atrasado na educação.

Eng. Sampaio começou por dizer que "está na moda dizer mal da educação". Afirmou-se contente com as medidas do actual governo e discordou de alguns pontos afirmados pelo primeiro orador, o Dr. Emídio Guerreiro. Referenciou anteriores governos que considera marcantes na história da educação em Portugal e reforçou a ideia de que o abandono escolar é um grave problema, apesar de ter vindo a diminuir.

Active ImageDepois das intervenções iniciais, resumidas anteriormente, foi tempo de dar voz ao público presente. Foram feitas intervenções por alguns profissionais da educação e por directores e ex-directores de escolas de formação profissionais e de centros de reconhecimento, validação e certificação de competências. Também alguns jovens, e alunos, intervieram, enunciando as suas dúvidas e preocupações.

Foi tempo, então, de Carlos Carvalho da de novo a palavra aos convidados, sem antes deixar de referir a sua preocupação com a falta de um visão de continuidade dada ao ensino e com a implementação do Processo de Bolonha, que considerou atabalhoada e confusa na maior parte dos casos.

Voltando a assumir da palavra, Dr. Emídio Guerreiro falou sobre o programa Novas Oportunidades, referiu os erros cometidos nas Escolas Profissionais e referiu a importância de se ter um Ensino de qualidade e excelência, afirmando a importância dos centros de investigação nas universidades. Referiu a importância das cartas educativas e alertou para as questões levantadas pelo estatuto da carreira docente. Considerou inaceitável o que acontece, por exemplo, em algumas zonas do Alentejo, onde crianças percorrem um percurso de 70Km até à escola, mas percurso esse feito em estradas difíceis. Falou também das questões na analfabetização, referindo o exemplo finlandês onde, no início do século XX existia uma taxa de 25% de analfabetos, contra os quase 90% de Portugal e voltou a defender um ensino que prime pela qualidade.

Professor José Carlos começou por referir a relação do tecido empresarial com a educação, dando o exemplo de Felgueiras, onde existe um escola pública de ensino superior. Afirmou a pouca, ou nenhuma, importância dada à educação por parte das empresas, mesmo quando os cursos estão direccionados para estas. Referiu a questão das qualificações, onde é apontada a meta de classificação de cerca de um milhão e seiscentos mil requerentes, alertando que continuam a faltar muitos para que se qualifiquem todos. Deu opinião sobre os cursos de carácter tecnológico e profissional e falou da preocupação existente na aproximação destes à carreira profissional. Referiu ainda o processo da carta educativa de Amarante, que aprovou baseando-se nos interesses para o concelho e na vertente técnica da mesma, discordando da parte política que acabou por a chumbar.

Eng. Sampaio, já pressionado pelo adiantado da hora, afirmou-se discordante de quem considera a educação de hoje pior do que a educação de ontem. Baseando-se na sua condição de director da Escola Secundária de Amarante respondeu às questões colocadas e, tal como o seu antecessor, referiu a carta educativa, que também aprovou, e distanciou-se do poder político que a reprovou, afirmando que, no entanto, isso é um problema, o político, que não lhe diz respeito e que talvez tenha sido sustentado. Mas realçou o facto de o grande problema ser o de cada um querer o equipamento "no seu quintal". Eng. Sampaio focou as questões do ensino profissional, dos problemas de segurança nas escolas e das associações de pais.

Foi, resumidamente, assim, mais um Revolta dos Papos d'Anjo. Como é hábito, no final e já depois de os convidados terem realçado a importância do tema e da iniciativa, foi tempo de se provarem uns bons Papos d'Anjo. Ficou, por  parte da organização, a promessa de nova Revolta para breve.

Actualizado em Quinta, 12 Fevereiro 2009 15:22
 

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