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O Património... Um legado a preservar... Para começar convêm descortinar o significado de património. Património deriva do latim, Patri, ou seja, o que é herdado, tudo aquilo que nos foi legado pelas sociedades de um passado mais ou menos próximo, às quais pertencemos, que servem de ponte para que comuniquemos com elas, para que percebamos melhor as suas vivências, os seus medos, as suas lutas e as suas crenças….
Amarante pela sua situação estratégica, conotada desde a sua origem como zona de passagem/cidade de passagem ou ponte, desta forma, o território amarantino foi desde os tempos mais remotos procurado para a fixação de povos, remontando, pelo menos até ao momento, ao neolítico (7 000 anos AC).
Sofrendo as influências de dois grandes centros culturais, como Porto e Braga, usufruindo e sendo marcada em simultâneo por influências trasmontanas e minhotas e em sintonia com o meio natural envolvente, o património amarantino prima pela sua originalidade e particularidade, dando a este concelho o aspecto de uma cidade do Norte de Itália ou mesmo Germânica. A própria riqueza patrimonial assim como a sua diversidade, como por exemplo, as suas Igrejas românicas, românico-góticas, Renascentistas, Barrocas, Neoclássicas… existindo praticamente em todas elas os famosos retábulos de talha dourada, que marcam o Barroco Português. Existe também uma diversidade de casas senhoriais, marca por excelência de qualquer terra nortenha, com os seus solares barrocos e neoclássicos símbolos da ostentação e poder do Antigo Regime. Contudo, existem ainda muitos exemplos de um outro património que devido à sua condição pouco monumental tem sido praticamente esquecido, a nível nacional e não fugindo à regra em Amarante, como por exemplo, os edifícios relacionados com a actividade pré-industrial, como o caso das azenhas, que ainda proliferam pelo rio Tâmega, embora em completo estado de ruína e desagregação (podendo ainda serem salvos).
Contudo, o património histórico, não pode ser desgarrado da sua componente social e até mesmo natural, isto é, um edifício ou monumento ou mesmo um complexo monumental, têm de estar intimamente ligado ao seu meio envolvente e às vivências das suas populações, é neste sentido que algumas cidades portuguesas, tem lutado contra a tercearização constante que se vem a apoderar cada vez mais, dos centros históricos das nossas cidades, fazendo com que a partir de uma certa hora do dia estes se tornem completamente despovoados, criando-se assim as condições ideais para proliferarem os malogros da nossa sociedade (criminalidade, toxicodependência e exclusão social). Também devem ser criadas todas as condições para a reabilitação destes espaços, proporcionando aos seus habitantes as condições ideais para que estes mantenham vivos estes espaços e se sintam bem neles. Urge evitar o surgimento dos ditos “monstros urbanos”, ou seja, ao ser construído um edifício nas imediações de um centro histórico é necessário manter uma certa uniformidade tipológica, com os restantes edifícios, situação esta, adoptada desde à muitas décadas, nos países nórdicos, perpetuando de certo modo, a tradição construtiva local.
Todavia, o património amarantino, encontra-se na sua maioria completamente abandonado, desprezado e por vezes, destruído ou delapidado. Neste sentido é urgente preservar este património, mantê-lo vivo, estuda-lo e mostra-lo para que os poucos que ainda nos visitam voltem mais vezes e permaneçam mais tempo na Princesa do Tâmega. Pois uma actividade turística conciliada com a história e a natureza podem ser dois recursos para um desenvolvimento sustentável.
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