logo

Conversas da laranja por...André Magalhães PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Sábado, 14 Julho 2007 17:38
 Desabafo, apelo ou provocação?

 Desde a minha infância ouço os mais velhos alertarem para o facto de eu e os da minha geração sermos aqueles que definirão o futuro deste país, e do mundo. Este é um estatuto obviamente “passageiro” pois dentro de alguns anos, a nossa geração já não será mais a “geração do futuro” e os que se seguirão a nós receberão essa herança.

No entanto, é sobre nós que agora recai a obrigação de, fazendo uso da energia, da determinação, da audácia e obviamente do atrevimento que é reconhecido nos jovens, lutar pelas difíceis causas que contribuem para a construção de um futuro melhor: Igualdade, Justiça, Desenvolvimento Sustentável… etc. Isto é o que o resto da nossa sociedade espera de nós.

Existem muitas atenções voltadas para os jovens de hoje. Muitos depositam esperanças e expectativas nas nossas capacidades de mudar o que hoje está mal. Outros acham que somos desprovidos de carácter e valores e que não somos mais do que uma geração egoísta que meramente se preocupa com o seu bem-estar e age inconscientemente de acordo os seus apetites.

Pessoalmente assumo uma posição mais “moderada” sobre os jovens de hoje em dia. Admito que num panorama geral se pode dizer que a nossa postura está longe da ideal e esperada. Em parte, herdamos das gerações anteriores uma característica que tem sido latente na nossa sociedade por vários séculos e que tem sido criticada igualmente por muito tempo: a inércia. É verdade que temos uma voz activa sobre muitos dos problemas que afectam a nossa sociedade, mas também é verdade que isso só não basta. É também (muito) preciso uma “atitude” activa.

Não basta falarmos dos problemas; criticarmos tudo e todos; não basta apontar o dedo às políticas de educação ou até mesmo ás políticas do ambiente se poucos de nós se dão sequer ao trabalho de fazer a separação dos lixos. É preciso mais. É preciso fazer. E até sobre aqueles que unicamente se dão à mordomia de criticar recai uma enorme obrigação: a de se informarem. Porque até para falar, falar correctamente e com eloquência, é preciso andar informado para não cairmos no erro de estar pregar ideias construídas em falsas premissas. É necessário ler os jornais e revistas, ver o telejornal e assistir a debates. Temos de estar a par da actualidade sob risco de nos afastarmos da realidade que envolve a nossa cidade, o nosso país ou até mesmo o nosso planeta, e consequentemente criarmos e vivermos uma realidade que desconhece e marginaliza os problemas que afectam a nossa sociedade.

Mas no meio de tudo isto, também reconheço na nossa juventude, a criação de pessoas com enorme e incontestável valor. Jovens que contra correntes e marés não se inibem de agir e acima de tudo de assumir a responsabilidade de fazer algo para solucionar problemas difíceis. Problemas esses que deveriam contar com a participação de todos nós na sua resolução, mas que só uma pequena parte da nossa população se empenha efectivamente para os resolver.

Devo confessar que desde que integrei o universo do associativismo e o universo da política já tive inúmeras desilusões. Mas também nesses mesmos universos me deparei com os jovens de valor de que falei. Tenho uma “cor política” assumida há já vários anos por motivos que não vou agora enunciar. E ao contrário do que muitos julgam, não são as ideologias políticas de cada um que aumentam ou diminuem o reconhecimento, o respeito e a consideração que tenho para com cada pessoa, mas sim a sua capacidade de assumir, defender e agir em prol de convicções sinceras e altruístas.

A política é unicamente uma das muitas “ferramentas” que os jovens têm ao seu dispor para lutar por essas convicções. Por vezes não é a melhor, admito, mas mesmo assim tem um potencial que considero quase indiscutível. Mas existem muitas outras maneiras de aplicarmos as nossas forças e energias em projectos que beneficiem o meio em que vivemos. 

Para ser sincero, não sei explicitar se todo este texto é meramente um desabafo, um apelo ou uma provocação. Mas seja lá o que for, espero sinceramente que seja lido e interpretado de forma a despoletar em muitos jovens a atitude e a postura necessária e conveniente ao estatuto que é atribuída à nossa geração: a de salvadores do mundo.

Para finalizar quero deixar-vos com duas citações com as quais eu concordo plenamente e que retratam em grande parte a mensagem que quero passar-vos:

 “Não é um notável talento o que se exige para assegurar o êxito em qualquer empreendimento, mas sim um firme propósito”

Thomas Atkinson 

“Para uma civilização, não é a técnica que representa o verdadeiro perigo, é a inércia das estruturas”

Louis Armand

André Magalhães
Actualizado em Quinta, 12 Fevereiro 2009 15:22
 

Produzido em Joomla!. Designed by: Free Joomla Theme, zend optimizer. Valid XHTML and CSS.